sexta-feira, 11 de outubro de 2019

SOLTEIRICE...E QUEM DISSE QUE ISSO É RUIM?


A capacidade de estar sozinho, sem se sentir sozinho, é uma habilidade, e pode ser um dos maiores aprendizados de uma pessoa. Estimula a independência para construir a vida que se deseja, e cria a vantagem de ser ter um tempo a mais para cuidar de si, da saúde, do corpo, e da vida em geral. Ser solteiro pode ajudar uma pessoa a valorizar e retribuir, mostrando que se importa com aqueles em sua rede. Já que o foco não está em um companheiro, passa-se a focar em outras pessoas ao redor como amigos e familiares, trabalho, projetos voluntários ou em outras atividades significativas.


A maioria das pessoas, quando olham ou pensam em pessoas solitárias, tiram conclusões que nem sempre são verídicas, achando que são pessoas infelizes pelo fato de serem só, ou simplesmente “diferentes” do comum. E qual o problema de ser diferente do tradicional? Será que é possível garantir a felicidade humana por meio do ‘’outro’’? Ou será que é mais fácil manter uma relação saudável, quando cada parceiro consegue criar estratégias para ser feliz com si próprio, e com isso, ter algo a mais para compartilhar com quem está ao redor, ao invés de esperar que somente o outro preencha esse vazio? É claro que ninguém pode ser autossuficiente. Como seres humanos, somos uma espécie social que depende de outras pessoas para a própria sobrevivência. Essa necessidade não diminuiu significativamente para a maioria de nós, o que faz com que até mesmo aqueles que preferem ficar sozinhos reconheçam a importância de não perder de vista as interações sociais no dia-a-dia, as quais nos possibilitam trocas de ideias, sentimentos, empatia, compreensão e apoio.

Estar ficar só pode ser um importante estágio de desenvolvimento do ser humano. São momentos onde se poder ter um tempo melhor para processar sentimentos, organizar pensamentos, metabolizar certos acontecimentos, estar em conato com si próprio, e, por meio da introspecção e olhar mais a fundo para nosso mundo interno. A solidão é uma oportunidade de autoreflexão e o ponto de partida para a tomada de decisão. Para muitos, estar só, também ajuda a aliviar as pressões sociais, e isso em certas situações pode ser uma paz, um alívio, que acaba ajudando a resgatar a energia perdida. Períodos de solidão, quando são bem utilizados, podem promover independência, autonomia e autoconfiança, gerar momentos de criatividade, de crescimento espiritual. A “tranquilidade” proporcionada pela solidão pode favorecer a construção de comportamentos e relacionamentos de melhor qualidade. Relacionamentos são importantíssimos para o ser humano, porém, ao estar livre de interações sociais e suas restrições, o indivíduo pode estar mais atento e focado, com mais tempo para explorar objetivos futuros, sem interferências ou distrações.


Estar só, pode ser uma oportunidade para se aprender a valorizar a liberdade e tornar-se mais responsável pelas próprias escolhas, ações e objetivos, desenvolvendo a força interior. Muitos abrem mão de suas preferências, e caem na armadilha de ouvir o que a sociedade ou outros acham ser o melhor, fazendo escolhas forçadas por uma companhia qualquer, apenas pela pressão social de estar em um relacionamento. Ser diferente da maioria é um desafio, mas é importante lembrar que períodos de solidão podem não só ser intrapessoalmente saudáveis, mas também úteis para melhorar a qualidade de relacionamentos futuros. 

Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

BURNOUT – QUANDO ALGO NÃO ESTÁ BEM


Sentir que todos os dias são iguais e ruins, chatos, sem perspectivas. A sensação constante de tédio, de estar vivendo uma vida sem cor, sem sabor, ou de que tudo é sem graça. Muitos passam ou já passaram por isso. O Burnout, um distúrbio caracterizado pelo esgotamento físico e mental, acomete pessoas das mais diversas áreas profissionais, sendo os mais comuns, profissionais da área da saúde e da educação. As pessoas que sofrem burnout geralmente se sentem constantemente preocupadas, desmotivadas, e não veem nenhuma esperança de mudança positiva dentro do contexto em que estão inseridas. Um dos principais sintomas emocionais é o tédio. Aquilo que se gostava antes, já não parece ser mais divertido nem desafiador. Confusão mental e lapsos de memória também podem ser frequentes. 

A mente começa a vagar enquanto os outros estão tentando estabelecer uma conversa. A pessoa não consegue ter um raciocínio rápido e acompanhar conversas rápidas e dinâmicas. A facilidade de se dispersar é maior, e por isso, a dificuldade em aprender algo novo acaba sendo mais difícil do que o habitual. Impaciência e irritabilidade, sensação de incapacidade, assim como choro fácil, tornando a pessoa mais sensível, o que faz com que até mesmo pequenas coisas se tornem relevantes. Isolamento, frieza emocional e distanciamento social mostram que a pessoa já não tem interesse e se sente entediada em estar com os outros. Desmotivação e procrastinação, não começar ou não terminar projetos, alimentam ainda mais esse ciclo de frustração e impotência.  O profissional se sente como se estivesse indo arrastado para ir ao trabalho, e precisa empregar uma força maior do que o normal para conseguir sair da cama e ir trabalhar.

O esgotamento também pode acontecer como resultado de relacionamentos difíceis ou situações pessoais. Cuidar de um parente idoso ou doente, passar por uma separação ou divórcio ou simplesmente ter de lidar com uma pessoa tóxica, no trabalho ou na vida pessoal, aos poucos, se torna altamente desgastante. Qualquer coisa que ultrapasse os limites de uma pessoa de maneira consistente e de maneira frequente e rotineira pode colocá-la sob o risco de esgotamento. A tensão se torna não apenas emocional, mas física também. Fadiga, insônia, problemas no sono, dores de cabeça, enxaquecas, problemas digestivos, diminuição do apetite, náuseas, dor nas costas ou nas articulações, imunidade reduzida e doenças ou dores frequentes no corpo podem ser sinais de que o corpo assim como a mente não está legal.


Felizmente, o esgotamento é algo que pode ser evitado e tratado. O primeiro passo é perceber que algo está errado e é preciso buscar ajuda profissional para isso. Fazer uma pausa também é fundamental para colocar a mente em ordem e refletir sobre o que precisa ser modificado. Inserir algo novo ou diferente dentro da rotina de vida, assim como usar esses momentos de introspecção para se repensar sobre áreas que talvez precisem ser modificadas e melhoradas, como carreira, relacionamentos, e também nas próprias atitudes, expectativas e perspectivas de vida, que de alguma forma, podem estar fora de sintonia com o mundo real. E claro, é preciso que empresas, organizações e locais de trabalho também façam a sua parte, promovam ações, gerem um ambiente de trabalho motivador e que respeite os limites de cada um. Afinal, pessoas não são máquinas de produção, mas simplesmente.....pessoas.

Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

INSÔNIA E PROBLEMAS COM O SONO



Dormir é tudo de bom. Isso para aqueles que tem a facilidade de cair no sono. Já para quem não consegue, dormir acaba sendo um ‘’luxo’’. Problemas com o sono acontecem de maneiras diversas. Alguns têm dificuldade em adormecer. Alguns têm problemas para se manter dormindo por longo tempo, sem acordar no meio da noite. E outros, se deixar, podem dormir o dia todo. Esses tipos de problemas de sono podem inibir o sono restaurador, algo fundamental para a saúde do cérebro.
Uma boa noite de sono restaura o sono do mesmo modo que se restaura uma rua esburacada. Para reparar os buracos de uma rua, a primeira coisa que se faz é interromper o tráfego ou permitir a passagem apenas de um trafego mínimo na via, para que o trabalho de reparo possa ser realizado de forma rápida e efetiva. O mesmo acontece com o cérebro. Assim como a rua, o cérebro pode ser reparado melhor quando o tráfego parar.

À medida que o dia passa, o corpo começa a dar sinais de que precisa de uma pausa, e aí começa a sensação de sonolência. E o que fazer para se ter uma noite de sono realmente restauradora? Dicas de praxe são relacionadas aos hábitos de higiene do sono, que basicamente são aqueles comportamentos que fazemos – ou não fazemos - próximos ao horário de ir para a cama. Exercício físico é ótimo para o corpo, porém quando realizado muito próximo do horário de dormir, também pode comprometer a qualidade do sono. Outro ponto importante é o ambiente e horário de descanso. Ir para a cama e acordar todos os dias à mesma hora ajuda a educar o corpo quanto ao momento de dormir. Uso excessivo de cafeína e álcool, bem como locais onde existem ruídos constantes, ou feixes de luz mesmo que mínimos, como a luz vermelha da Tv, do laptop, do celular ou do ar condicionado, também já são suficientes para se ter uma noite mal dormida. Temperatura ambiente, tanto o frio, como o calor excessivo, assim como a qualidade do travesseiro ou do colchão são decisivos para um descanso efetivo, tanto física, quanto mentalmente.
Comportamentos prévios ao horário de dormir também devem ser percebidos, como por exemplo, o uso do celular ou do computador durante a noite, bem como, a qualidade da alimentação, e fatores emocionais como stress, a ansiedade, preocupações e outros fatores que impedem um relaxamento tanto da mente como do corpo, prejudicam o sono. Problemas de sono podem causar problemas de memória, pensamento, humor, depressão, ansiedade, fadiga crônica e também problemas no metabolismo em geral.


Durante o sono, o cérebro é capaz de reparar e cultivar estruturas que se regeneram e fortalecem também o sistema imunológico. É a pausa necessária para que a mente se reorganize. Às vezes, na tentativa de aproveitarmos ao máximo o tempo à noite, muitos abrem mão do descanso para adiantar atividades de estudo ou de trabalho. Mas é preciso lembrar que aproveitar o tempo não é apenas usá-lo ao máximo, mas sim, usá-lo com inteligência e efetividade. Um cérebro descansado, é capaz de produzir mais, melhor e em menos tempo, e isso sim é ser produtivo. Dormir não é perder tempo, mas sim ganhar em tempo de qualidade, pensar com mais qualidade e produzir com mais qualidade. O sono restaurador é vital e assim como a nutrição ou a atividade física, é um fator determinante para a saúde física, assim como para um bom desempenho mental e emocional. 



Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

APRENDENDO A DIZER ‘’NÃO’’



Sim, é difícil dizer ‘’não’’. Recusar pedidos, favores ou solicitações de filhos, pais, amigos, chefes, vizinhos, colegas de trabalho, ou até mesmo estranhos, não é uma tarefa simples, pois gera sentimentos que nos fazem sentir que somos pessoas más, egoístas, insensíveis. Isso também leva o outro a criar interpretações negativas e pré-julgamentos muitas vezes injustos sobre nós, criados a partir de elementos mais emocionais do que racionais. Mas até que ponto isso também não é uma espécie de escravidão emocional, que nos leva a sempre ter que fazer algo para ‘’agradar’’ e não ‘’decepcionar’’ o outro? 
Ao aceitar tudo que nos solicitam, estamos investindo energia nas prioridades de outras pessoas, e deixando as nossas para trás. A vida exige que tenhamos um equilíbrio entre nós e os outros, para poder efetivamente dizer não com confiança, sem ficar com aquele sentimento de culpa ou arrependimento.
Receber uma resposta negativa não é, e nunca será fácil nem agradável para ninguém, porém, ser educado e gentil é a melhor forma de reduzir a intensidade do ressentimento. Quando recusamos algo, não estamos dizendo isso à pessoa mas sim, ao pedido que ela nos faz, e por isso, é imprescindível deixar claro, antes da recusa, o quanto respeitamos e reconhecemos a importância dela e do seu pedido, de forma sincera, afim de que o outro não se sinta rejeitado ou humilhado por não ter sido atendido.
Uma outra forma de também minimizar o desconforto ao recusar algum pedido, é explicar os motivos e razões, com detalhes. Infelizmente nem todos tem boas habilidades de comunicação, ou de expressão. Um ‘’não’’ seco, é o caminho certo para o rancor. Inventar desculpas nem sempre é a melhor solução, mesmo que pareça ser o caminho mais fácil. Ser honesto e franco, a princípio é o caminho mais incômodo, mas se for expresso de modo gentil, facilita a empatia e a compreensão da recusa.

Dizer ‘’não’’ exige um pouco de prática, e também de coragem, até se tornar um processo natural, ainda mais para quem costuma aceitar pedidos dos outros com frequência. Se alguém está acostumado a dizer sempre sim, será preciso coragem para dizer não, especialmente se for alguém que tem algum vínculo afetivo ou se a pessoa que pede não desiste facilmente. A generosidade é uma atitude muito louvável, porém é preciso medir o quanto também precisamos ser generosos com si próprio.

Recusar um pedido nem sempre está ligado somente a favores, mas também a oportunidades, e aí é que está o grande desafio: como recusar um convite que pode abrir novas possibilidades, seja na vida pessoal ou no trabalho. E por que recusar? Muitas vezes, apesar de tentador, existem valores que são tão ou mais importantes do que futuras oportunidades. Deixar de participar de um evento, recusar um trabalho, para passar mais tempo com a família, para ter um tempo para si próprio, para descanso, para cuidar da própria saúde, são escolhas importantes também. Existem prioridades na vida que podem não ser tão atrativas profissional ou financeiramente, mas que são essenciais para o bem-estar, e que, indiretamente, contribuem para que a mente esteja em paz. Afinal, a vida é feita diariamente de escolhas. São centenas ou até milhares de decisões que tomamos todos os dias. E essas escolhas fazem parte do processo de perdas e ganhos, que nos torna seres em constante desenvolvimento e evolução, sobre aquilo que é realmente essencial e saudável para nós.


Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

MIDIA SOCIAL: Vilão ou Mocinho?



Mídias sociais são utilizadas por bilhões de pessoas em todo o mundo, e muitos profissionais as consideram potencialmente perigosas, pelas mais diversas razões. Alguns alegam que reduz a conexão e a sociabilidade entre as pessoas, outros alegam que estimula o consumismo, a competitividade, fazendo com que seguidores mergulhem em um estado de ansiedade, depressão, redução da autoestima, problemas na autoimagem, aumento da sensação de fracasso, sobretudo ligadas ao trabalho e a relacionamentos, em virtude das comparações sociais e do exibicionismo virtual que a própria mídia social estimula. Outros pontos negativos das mídias são o sedentarismo, o isolamento, a dificuldade de foco e concentração em tarefas comuns, e a perda do tempo, o qual poderia ser despendido em outras atividades. A maioria dos profissionais é treinada para olhar para o risco em todos os lugares.  Alguns se baseiam na realidade, outros se baseiam no medo, ou num olhar focado para os piores cenários. Procuramos sintomas, fatores de risco e sinais de que as coisas não estão corretas ou causam algum tipo de problema no indivíduo ou na sociedade.
Esse olhar com foco apenas naquilo que é ruim, é um padrão que faz com que muitas vezes, as pessoas se restrinjam ao lado negativo de qualquer coisa, mesmo sabendo que absolutamente tudo na vida tem seu lado bom, e seu lado ruim. Interpretar os fatos dessa forma é uma visão robótica e eternamente insatisfatória, pois faz com que se chegue à simples conclusão que não existe e nunca vai existir algo no mundo que seja realmente bom ou benéfico para o ser humano. E não existe mesmo!

A mídia social pode ser um local muito estressante e uma fonte de ansiedade, porém, será que isso também não depende da forma como a utilizamos? Até quando responsabilizaremos as ferramentas, ao invés daquele que a utiliza? Por que condenamos então a tecnologia, que, ao mesmo tempo que traz problemas, também traz muitos benefícios à sociedade. Por que condenar uma ferramenta que, ao mesmo tempo que estimula o exibicionismo, também nos traz informações do outro lado do mundo, que possibilita conexões com pessoas de outros países e culturas, que também estimula a sociabilidade, porém de uma forma diferente do tradicional, e que também, aproxima aqueles que não podem estar próximos em razão da distância? Será que ao se condenar as mídias sociais digitais não estamos na verdade estimulando a vitimização de pessoas que, ao invés de se responsabilizarem pelas suas ações, tendem a projetar a responsabilidade de seus atos e suas decisões sobre objetos, pessoas e instituições?

A mídia social não é inerentemente ruim. É difícil dizer que uma plataforma de mídia social é inerentemente "ruim". O tipo de conteúdo que está sendo consumido pode levar a efeitos nocivos, assim como também a forma que pessoas interpretam tais conteúdos. E então, onde fica a capacidade de escolher o que vemos? Será que seremos sempre pessoas passivas, que não tem nenhum controle sobre aquilo que chega a nossos olhos? Quem faz a escolha das pessoas que serão nossos amigos ou que iremos seguir nas mídias sociais? A mesma mídia que traz tais conteúdos, também oferece configurações para que o usuário escolha o que ele quer ver, o que lhe interessa mais. Logo, quem é o culpado? Refletir sobre essas questões pode nos ajudar a concluir que, o que importa não é classificar ou rotular quem é o vilão ou quem é o mocinho, mas sim ativar a percepção sobre até onde vai a nossa criatividade, adaptação e capacidade de fazer escolhas saudáveis, do que dos produtos ou invenções que estão ou que ainda venham a surgir ao nosso redor.


Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

“SER” MINORIA NUM MUNDO DE MAIORIAS



Como é ser diferente dos outros? Como podemos nos expressar e viver num mundo onde todos ou quase todos são diferentes de nós? Ser diferente exige coragem, exige persistência, e mais do que tudo, muita, mas muita, paciência. O caminho é mais tortuoso, o tempo é mais longo, muita coisa se torna mais difícil de ser conquistada. E o que é ser diferente? Não é fácil chegar à resposta, pois ser diferente abrange as mais diversas dimensões, desde a física, até a dimensão racional, emocional e espiritual. Os diferentes podem ser representados pela tradicional diversidade de raças, nacionalidades, sexo, culturas, religiões, vestimentas, atribuições físicas, deficiências, assim como também podem ser representados simplesmente por aqueles que externamente parece igual a maioria, mas que possui formas próprias de pensar, de agir, opiniões divergentes e até polêmicas, diferentes modos de se expressar e também, de sentir o mundo. Ser diferente também se refere ao campo emocional. Emoções e sentimentos são comuns aos seres humanos, porém, podem ser expressas de modos diferentes, assim como também sentidas de modos diferentes, com mais ou menos intensidade.

A diversidade está presente em vários planos. Se não fosse a diversidade das flores, talvez não teríamos tantas espécies diferentes, formas e combinações de cores nas orquídeas, mas somente o tom monocromático de uma rosa. Se não fosse a diversidade, não teríamos as diversas raças de animais que nos rodeiam, as diversas cores, texturas, formas. A diversidade nos abre um campo maior de opções e de possibilidades que tornam o mundo mais rico e pleno, nos fazendo pensar sobre diferentes perspectivas que talvez não pensaríamos se vivêssemos num mundo de iguais. Ser aceito pelos outros é uma necessidade profundamente instintiva. Os seres humanos são sociais por natureza, felizes quando fazem parte do grupo e tristes quando marginalizados. Quando nos sentimos excluídos, um alarme de medo, que nos remete aos instintos mais primitivos, acaba surgindo nas profundezas do cérebro. Sabemos que, se estivermos sozinhos, estaremos mais vulneráveis ​​ao perigo.

É aqui que vem o nosso medo de ir contra a corrente e ser diferente, apesar de em geral parecer que o anormal é aquele que se recusa a ser ou se comportar igual aos outros, ou que já é diferente por si só, pela sua própria natureza ou origem. Em princípio, temos pavor de sermos diferentes dos outros, pois ser incomum exige força, personalidade, convicção e autoconfiança. É importante lembrar que nem sempre a maioria segue aquilo que é razoável ou desejável. Números nem sempre são sinônimos de qualidade, e por isso, o efeito manada, que faz com que o todos fazem pareça ser bom, nem sempre o é. Crescer significa tornar-se mais independente e talvez ser diferente. Quando nos reconhecemos como adultos, começamos a ver que temos recursos para discordar do mundo e nadar contra a corrente. Convicções nos dão a força para ser diferente. Nem todo mundo quer ficar cara-a-cara com o medo de ser eles mesmos. Mas aqueles que fazem acabam encontrando a liberdade e projetar o próprio destino, de acordo com quem realmente são.


Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 26 de julho de 2019

NARCISISMO - QUANDO O MUNDO SE LIMITA AO EU



Olhar para si e para as próprias necessidades é um comportamento mais comum do que imaginamos. No entanto, apesar de criticado, existe uma lógica que explica porque pessoas se comportam dessa forma ao longo da vida. O narcisismo é uma característica daquelas pessoas que têm um senso inflado de sua própria importância, que possuem uma profunda necessidade de atenção, e precisam se sentir constantemente admiradas pelas pessoas. Em virtude do foco excessivo em si mesmo, e da falta de empatia pelos sentimentos e necessidades dos outros, o indivíduo pode ter relacionamentos conturbados e dificuldade em se relacionar socialmente, tanto a nível familiar, como por meio de amizades e ambientes de trabalho. Algumas vezes parecem ter um excesso de confiança e uma certa arrogância, porém, por trás dessa máscara pode estar uma autoestima extremamente frágil e vulnerável a críticas ou julgamentos.

A personalidade narcisista causa problemas em muitas áreas da vida, tais como relacionamentos, trabalho, escola ou assuntos financeiros. Pessoas que se comportam como se o mundo tivesse que girar à sua volta, acabam vivenciando justamente aquilo que mais temem: a infelicidade. Tornam-se facilmente infelizes e frustrados, ainda mais quando não sentem que não sendo reconhecidos devidamente, ou quando não recebem favores especiais ou a admiração que acreditam que merecem. Acabam achando seus relacionamentos insatisfatórios, gerando um distanciamento e afastamento de outras pessoas. Senso exagerado de autoimportância, necessidade constante de reconhecimento, mesmo sem o devido merecimento, além de fantasias sobre sucesso, poder, brilho, beleza e idealização do relacionamento perfeito são alguns dos sinais desse comportamento. 

Muitos acreditam ser superiores e preferem se associar a pessoas igualmente especiais até mesmo para conquistar algum benefício futuro. Algumas vezes monopolizam conversas e outras vezes menosprezam aqueles que percebem como inferiores. A maior dificuldade do narcisista é justamente a incapacidade de reconhecer as necessidades e sentimentos dos outros, assim como buscar constantemente a perfeição, a qual, obviamente, não acontece e acaba não só acentuando ainda mais suas fraquezas, como gerando problemas nos relacionamentos, sociais e afetivos, tornando o isolamento e a distância, com relação aos outros, cada vez maior e, consequentemente, mais dolorosa.

Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 5 de julho de 2019

FÉRIAS: UMA PAUSA NECESSÁRIA


Férias são, de fato, maravilhosas, pena que nem sempre duram tanto quanto esperávamos. É o chamado efeito de desvanecimento que faz com que os benefícios durem apenas algumas semanas após retornarmos ao trabalho. Ouvir isso certamente não é algo não muito agradável, ainda mais se levarmos em consideração que trabalhamos o ano todo esperando ansiosamente esse período para dar uma pausa no trabalho, recarregar as energias, descansar a mente, refazer o planejamento dos próximos meses, ou no mínimo, ter uma brecha de tempo para tentar organizar nossas vidas de modo geral. Se forem bem planejadas e executadas, isto é, sem aquelas surpresas inesperadas, as férias revigoram, reduzem a fadiga e melhoram o humor. No entanto, isso não dura muito tempo, pois logo somos envolvidos novamente por mais stress e preocupação. Além disso, nem sempre férias são sinônimo de descanso para todos, sobretudo para pais e cuidadores.

Mas e aí, como aproveitar os benefícios das férias, de um jeito mais duradouro, e evitar, ou pelo menos minimizar, esses indesejáveis ​​efeitos de quando acaba toda essa alegria? Uma solução é aproveitar mini-férias mensais em vez de esperar por férias anuais únicas. Alguns estudos sugerem que, melhor do que esperar uma ou duas vezes ao ano para tirar um período longo de descanso, o ideal é ter pequenos momentos de descanso, por tempos mais curtos, porém, com uma frequência maior ao longo dos meses que se passam. Isso faz com que possamos criar pausas que, ao mesmo tempo que não comprometam tanto o nosso trabalho, possam também nos trazer a oportunidade de nos revigorar com mais frequência. Existem evidências de que as férias curtas, aquelas que duram apenas alguns dias ou fins de semanas mais prolongados, podem ser tão recuperadoras quanto viagens mais longas, aumentando assim a sensação de bem-estar e diminuindo a tensão e o estresse, e ajudando na recuperação da mente e do corpo.

Outra conclusão que poucos sabem: o ato de planejar férias gera um aumento muito maior na sensação de felicidade e humor melhorado nas semanas que antecedem as férias. Pessoas que percebem ter controle sobre seus planos de viagem têm maior probabilidade de se sentir menos estressadas depois de um período de férias. Uma viagem simples, a um lugar próximo, silencioso e calmo, pode ser muito mais interessante e revigorante do que uma estadia de duas semanas em uma praia famosa onde você está constantemente checando seu telefone, ou a um país distante, onde você precisa enfrentar horas de vôos, atrasos, tumultos e filas de esperas de aeroportos. Dominar uma nova habilidade e separar-se psicologicamente do trabalho durante as férias também ajuda a reduzir os níveis de estresse. Mas o fundamental é a maneira como gastamos o tempo de férias. Mas para isso, é preciso uma boa organização, já que o tempo passa rápido, e se for tempo livre, passa mais rápido ainda. A duração do tempo muitas vezes é menos importante do que a qualidade e a forma como fazemos o uso e desfrutamos dele. Todos sabem que os efeitos positivos são de curta duração, e aí, cabe também a cada um de nós utilizar outras estratégias que possam tornar não apenas os momentos de pausa agradáveis, mas o restante do ano também. 


Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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sexta-feira, 28 de junho de 2019

AUTOCONFIANÇA EM SERMOS QUEM REALMENTE SOMOS


Um comportamento que todos querem mas que, infelizmente não é uma receita de bolo, muito menos uma habilidade que se adquire do dia para a noite. A autoconfiança está intimamente relacionada à autoestima e à sensação de bem-estar e satisfação pessoal, o que nos impulsiona a enfrentar desafios cada vez maiores, com coragem e ousadia.Construir confiança significa dar pequenos passos que deixam uma sensação duradoura de realização. Está ligado intimamente a experiências passadas, e também, à forma como nos enxergamos, a um senso de autoeficácia, construído ao longo do tempo, mas que também, recebe influências externas muito fortes, sobretudo do contexto familiar. 


Se você já aprendeu algo, domina algum tipo de habilidade, consegue se comunicar com clareza e assertividade, ou já superou obstáculos para chegar onde chegou, provavelmente isso já é um reforço positivo. Obviamente que a confiança também está envolvida com o nível de experiência e competência em determinadas tarefas, o que acaba elevando o nível de motivação para ampliar ainda mais essas habilidades. Pensamentos e dúvidas constantes do tipo “e se...”; “e se eu falhar?”; “e se eu me arrepender?” são uma constante em pessoas onde a insegurança impera. É como se o cérebro ativasse diversos alarmes, tentando prever e antecipar as piores consequências afim de nos proteger, quando na verdade, o que acontece é um estado de paralisia, e uma forte tendência a recuar e não enfrentar da situação. Uma pessoa autoconfiante faz com que esses pensamentos deixem de ser paralisantes, até porque a pessoa consegue equilibrar perspectivas positivas também, e não apenas as negativas. Isso nos faz agir e sentir mobilizados com o progresso alcançado, sejam eles pequenos ou grandiosos.

A autoconfiança está diretamente ligada à capacidade de estarmos dispostos a aceitar erros e crescer com isso. Baixa autoconfiança, gera ruminação, medos, suposições, hipóteses, preocupações demais e uma necessidade de controlar aquilo que é incontrolável, além de uma sensação de cansaço e exaustão física e mental. A ruminação excessiva só nos leva a desistir de coisas que gostaríamos de fazer. Autoconfiança não significa que erros não acontecerão. Falhas e erros levam ao crescimento e o fracasso faz parte da vida e nos ajudam a quebrar o velho mito de esperar que tudo esteja 100% perfeito antes de agir. A verdade é que os outros estão tão envolvidos em seus próprios pensamentos e preocupações, que esse medo, mesmo sendo real, na maioria das vezes é desproporcional. 

Quebrar o ciclo de pensar demais e acalmar nosso eu crítico interior é um dos grandes passos. Pessoas autoconfiantes, ficam menos focadas em si, e, ao invés de ficarem achando que o mundo está reparando em tudo o que falam ou fazem, acabam desenvolvendo mais empatia. A comparação é outra grande armadilha. Cada indivíduo tem a sua forma autêntica de ser, de falar, de agir, e por isso, modelos padronizados tendem a dificultar ainda mais o lado autêntico das pessoas, que faz com que sejam quem são, espontaneamente. Pode parecer um paradoxo mas, a autoconfiança é uma característica justamente dos imperfeitos, e, aceitar essa imperfeição nos torna mais humanos, únicos e autênticos, mostrando o brilho especial que existe dentro de cada um. 

Sálua Omais é psicóloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo sido a 1º profissional a implantar, no estado de Mato Grosso do Sul, a disciplina de Felicidade & Inteligência Emocional como parte da grade acadêmicaPossui Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA). É autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 


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