sexta-feira, 2 de novembro de 2018

LUTO – A DIFÍCIL MISSÃO DE LIDAR COM A PERDA


 Todos nós temos que enfrentar, algumas vezes de modo até inesperado, a perda de um ente querido, em uma situação que nos leva a fazer uma série de reflexões sobre o sentido da vida. A morte é um evento de tamanha enormidade que pode tornar tudo o mais em nossas vidas insignificante. Vivemos em uma cultura que nega a morte, ou que a vê como algo que devemos evitar, e tentar esquecer. O luto nos traz um misto de emoções e sentimentos de tristeza, abandono, desamparo, aflição, e, principalmente, de angústia, no intuito de buscar explicações sobre um fenômeno que ninguém consegue explicar de forma exata. 

O luto pode ser descrito como um desejo de trazer de volta a pessoa que morreu, muita desorganização e tristeza. Ele pode ser experimentado como uma reação mental, física, social ou emocional. A dor que é sentida não é apenas pela pessoa que morreu, mas também pelos desejos e planos não realizados com aquele que se foi. Muitos se veem também envolvidos pela emoção do medo e da insegurança, o medo do futuro, de tomar decisões que até então não eram suas, de se tornar o responsável principal por uma família, tanto do ponto de vista afetivo, emocional, como financeiro. 

O processo de luto passa por diversas etapas, começando com o reconhecimento da perda até a aceitação. Cada um busca sua própria forma de lidar com a dor da perda, e isso também está ligado à forma e às circunstâncias da morte. No primeiro momento, as pessoas mais próximas podem entrar em um estado de negação, descrença, não aceitando o que aconteceu. A partir daí, surgem, além da tristeza, emoções como a raiva, ou então a culpa, por não ter tido tempo suficiente para falar ou demonstrar algo àquele que se foi. O humor passa a ficar mais deprimido, memórias ricas em detalhes passam a ficar mais vívidas, em uma tentativa constante de compreender a lógica dos fatos e a lógica da vida. A mudança real, no entanto, só acontece a partir do momento que ocorre a aceitação da perda. Aceitar a separação da pessoa que morreu, envolve a capacidade de redirecionar a energia emocional, ajustar-se à vida sem a pessoa ao seu lado, e retomar as atividades habituais. 

Ao mesmo tempo, tomar consciência da morte pode ter um poderoso efeito positivo e trazer uma mudança radical de atitude e perspectiva. Quando enfrentamos a morte de forma ativa e direta, há uma chance de transcendermos a ansiedade e a insegurança e vivenciarmos seu potencial de transformação, criando uma nova capacidade de viver no presente, ao invés de nos mantermos presos ao passado ou ao futuro. O luto leva pessoas a desenvolverem atitudes apreciativas diante da vida, sentimentos de gratidão por aspectos banais que até então não eram valorizados, e também, a cultivarem relacionamentos familiares e elementos como a afetividade, a compaixão, a solidariedade, a empatia. Preocupações e ansiedades do dia-a-dia, passam a não ter mais tanta importância diante de outros fatores mais relevantes, como a presença de alguém, tornando as pessoas mais sensíveis, e fazendo com que coisas que até então muitos não prestavam atenção, acabem se tornando notavelmente vívidas e belas. Isso também leva pessoas a refletirem sobre o uso efetivo do tempo, não somente para si próprio, mas também para aqueles que amamos, e para aquilo que é realmente importante na vida.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018).




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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A DOCE SABEDORIA DAS CRIANÇAS


Todos sabemos o quanto as memórias e experiências da infância são importantes para o desenvolvimento e maturidade de um adulto. O interessante é que, à medida que o tempo passa, o contato com as novas gerações, não apenas desperta novamente a criança dentro de nós, como nos dá a oportunidade de aprender muitas coisas com os pequenos, fazendo-nos resgatar algumas atitudes que, sem sabermos o motivo, perdemos com o passar dos anos.

Tive a oportunidade de trabalhar com crianças e adolescentes, ao longo de 13 anos da minha vida, o que me trouxe alegrias e desafios, mas, muito mais do que isso, me trouxe uma diversidade imensa de aprendizados, que vieram por meio da observação de sua forma de pensar sobre o mundo, dos seus comportamentos e, claro, por meio da interação diária com elas.

Crianças são criaturas extremamente sábias, e observá-las nos faz repensar muito sobre a vida. Para começar, elas se alegram com coisas simples, pois não tem expectativas irreais, e, por isso, entendem que a alegria pode ser encontrada em qualquer lugar. Muitas vezes, os pais, na tentativa de agradar, se esforçam em presenteá-las com brinquedos sofisticados, e de repente, quando veem, o brinquedo preferido delas é aquele mais baratinho.

Crianças são seres curiosos, buscam sempre aprender algo novo, são altamente questionadoras, querendo saber o tempo todo o “porquê” das coisas, desde as coisas mais complexas, até aquelas mais banais. Crianças aceitam o diferente e não julgam, mas isso, claro, desde que o adulto não as amedronte com suas crenças e medos, fazendo-as aprender “o que” e “como” julgar as pessoas.


Crianças expressam emoções e sentimentos de forma simples, pura e objetiva, sem enrolar muito, e sem meias palavras. São transparentes e sinceras, e, quando querem algo, dizem o que querem. Quando não querem, também deixam isso bem claro para os adultos ao redor. Quando estão tristes, choram, e não escondem isso. Quando estão felizes, sorriem de verdade, e com vontade. Demonstram afeto sem disfarces, abraçando-nos com uma força proporcional aos sentimentos que carregam por nós. Crianças nos ensinam a perdoar facilmente. Brigam, choram, berram, esperneiam, mas em poucas horas, voltam a sorrir novamente, em uma fração de tempo muito mais rápida do que nós adultos levamos para nos livrar da culpa ou do remorso. 

Crianças não colocam limites em sua imaginação, nem em seus sonhos. Se querem ser super heróis, incorporam isso dentro de si literalmente, sem se importar em parecer “ridículas” ou “malucas”. Elas sabem deixar o medo de lado. Ao contrário dos adultos, não ficam pensando no famoso “e se...”, mas ao contrário, mergulham na experiência, aproveitando o momento. Crianças aprendem pela repetição, e quando falham, não desistem fácil. Querem começar tudo de novo, sem se cansar. Aliás, quem se cansa na verdade, somos nós. Crianças falam aquilo que estão pensando, de forma autêntica, e não ficam medindo palavras ou se preocupando com o certo ou errado. E mesmo quando estão erradas, ainda conseguem falar de um jeito doce e engraçado.


As crianças são os verdadeiros gurus da felicidade. A forma da criança olhar o mundo, não é contaminada igual a de um adulto. Elas entendem a vida melhor do que a maioria de nós, vivendo com mais sabedoria do que alguns dos indivíduos mais experientes e refinados ao nosso redor. E o mais importante para elas: o tempo. Aliás, enrolação é coisa de adulto. Crianças não procrastinam, e não querem saber de deixar nada para depois, pois sabem que amanhã, pode ser tarde demais, e não dá para ficar esperando o tempo passar....

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018).




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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A PSICOLOGIA DE UM VOTO




Falar de política é sempre um desafio, e essa, certamente não é a proposta dessa matéria, mas sim, entender o comportamento de um eleitor quando chega o momento de decidir sobre quem serão seus futuros dirigentes. É muito fácil compreender o motivo pelo qual tanto se fala o famoso jargão: “política não se discute”. Seres humanos são diferentes, e isso naturalmente gera opiniões diferentes. Por essa razão, discutir política dentro do meio social, no trabalho, e até dentro de casa, pode despertar discussões ferrenhas, justamente em razão das maneiras diferentes que cada pessoa tem de pensar, interpretar e compreender o comportamento e atitudes de cada candidato. As crenças e valores morais, pessoais, éticos que cada pessoa carrega dentro de si, assim como o nível de compreensão, influenciam diretamente o modo como ela formará sua decisão, juntando-se a isso ainda outros elementos, como vantagens, benefícios, etc. Um mesmo candidato pode ser visto por diversos eleitores de formas diferentes: como um radical, um oportunista, um herói, um injustiçado, uma vítima das circunstâncias, um dissimulado, e pelos mais diversos pontos de vista.

Um eleitor pode usar diversos critérios para formar seu voto. Alguns, menos ousados, utilizam o critério do comodismo, de votar como sempre se votou, com o pensamento de que “é melhor deixar do jeito que está, para não piorar”, se é que já não estamos no pior momento possível! Alguns fazem suas escolhas pela proximidade ou afinidade com um ou outro candidato, ou pela possibilidade de conseguir alguma vantagem no futuro. Outros, podem usar o critério da rebeldia, e achar que é melhor investir logo de uma vez na oposição, para ver se dessa vez algo muda. Outros eleitores, utilizam o critério da fuga, decidindo usar, como forma de protesto, o voto “em branco” ou “nulo”, achando que com isso, estará mostrando algum tipo de decisão, quando isso na verdade se torna nada mais do que uma forma de evitar a “dor” da escolha, ao invés de enfrentar e se responsabilizar por ela.

Muitas pessoas votam, com base na emoção do medo, da insegurança. O medo de ser enganado novamente, ou ainda, para outros, o medo de perder algo que já possuem, como algum benefício social, financeiro, mesmo que o preço que se pague por isso no futuro, seja muito maior do que o próprio benefício em si. Enquanto alguns votam de modo independente da maioria, milhões de pessoas ainda votam de acordo com a massa, sendo guiados por pesquisas ou estatísticas, “amostras” essas que podem não corresponder a realidade dos votos de todo um país. Muitos se deixam levar pela opinião alheia, pela onda social, ao invés de construir sua própria opinião. Obviamente alguns podem ter realmente dentro de si uma opinião convicta de que o caminho da maioria seja o melhor caminho, e se for assim, tudo bem, contanto que seja uma conclusão que ele mesmo tirou baseado em evidências e fatos reais, e não em suposições de outras pessoas, e muito menos, baseado na emoção. No entanto, muitos eleitores dão mais importância aos números e à quantidade, do que a qualidade. São aqueles que têm medo de arriscar em alguém que possa ter “menos chance de ganhar”, o que mostra pessimismo e desesperança. 


Emoções influenciam fortemente nossas decisões. Nesse momento, pessoas do país inteiro votam muito mais com base em suas emoções do que na razão. Alguns estão fazendo escolhas baseados na raiva, no medo, no rancor, na insegurança, na tristeza, outros já podem estar decidindo seus votos com base na compaixão, na piedade, na vingança, no senso de justiça.

Para mudar algo para melhor, é importante saber que as emoções podem camuflar evidências escancaradas, e por isso, é preciso usar, junto à razão, aquelas emoções que ampliem nossa inteligência e nos impulsione para algo mais concreto, como a esperança, o otimismo, a persistência e a coragem, elementos esses que nos conduzem mais à construção de algo, do que à reclamação e à destruição daquilo que já está perdido. O voto é um ato de responsabilidade de todos. Toda decisão envolve riscos. No entanto, para tomar uma decisão e reduzir a margem de erro, existem dados e evidências nos quais podemos nos apoiar, e a partir disso, fazer com que nosso voto seja guiado pelo equilíbrio entre a razão e a emoção, e não pelo domínio de um sobre o outro.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018).




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domingo, 9 de setembro de 2018

DISCIPLINA POSITIVA - UM NOVO OLHAR PARA O MAU COMPORTAMENTO INFANTIL



A primeira coisa que se pensa quando ouvimos a palavra “disciplina” está geralmente ligado a algo entediante, chato, rigoroso. Apesar da origem da palavra disciplina estar ligada ao sentido de “ensinar”, ainda para a grande maioria das pessoas, está ligada ao sentido da punição ou da rigidez. Hoje, no entanto, tem havido um resgate às raízes da palavra disciplina, e novas abordagens buscam orientar pais e cuidadores a como ensinar o comportamento correto, de forma firme e gentil. A disciplina positiva também não apoia, nem incentiva o uso de elogios “gratuitos” à criança, muito menos o uso de presentes ou recompensas para conseguir que a criança adote o comportamento desejado. Elogios vazios, ou então, o famoso “tatibitate” que muitos pais fazem com seus filhos, podem ser um veneno tão perigoso quanto a punição rigorosa, tornando a criança o “reizinho” da casa, o que pode leva-lo a se tornar um adulto sem limites, que faz o que quer, na hora que quer, e do jeito que quer. 

O melhor caminho é o meio termo: a educação respeitosa, onde a criança é vista aos olhos do adulto como um ser que tem plena capacidade de compreender e agir, desde que seu raciocínio seja estimulado por meio de perguntas que a façam entender o motivo das coisas serem como são, ao invés de serem injetadas de respostas prontas, que não estimulam em nada o pensamento crítico e a maturidade emocional. Focar na solução, é uma das maneiras de incentivar que a criança reflita sobre seus próprios comportamentos, e possa participar e elaborar escolhas sensatas para agir conforme as capacidades próprias da sua faixa etária. 

Um dos fundamentos da disciplina positiva enfatiza que não existem filhos ruins, mas apenas comportamento ruins. Não há garotos maus, apenas maus comportamentos. Pense nisso por um minuto e você perceberá quão verdadeira é a afirmação. Em outras palavras, algo no ambiente da criança está a influenciando a se comportar mal. Quando aceitamos que foi apenas um comportamento que foi ruim, e a própria criança está bem - ensinar em vez de punir se torna mais fácil. Ao invés de apontar o que a criança fez de errado, mostre à criança como acertar, sendo gentil e firme ao mesmo tempo. A gentileza, mostra o respeito à criança, e a firmeza, mantém o respeito pelo adulto, já que é mais do que necessário que a criança sinta que existe um limite no qual ela não deve ultrapassar. 

Sempre que possível, também é importante oferecer escolhas à criança. Essa é uma forma que permita que ela sinta que está sendo vista e que pode participar das escolhas da casa, porém não somente para escolher o que mais a convém, mas sim aquilo que está dentro do que é possível dentro da situação e dentro das capacidades da sua idade. Dar escolhas a uma criança, não é deixar ela fazer o que quer, já que o processo de escolha envolve a interferência do adulto, que vai monitorar aquilo que é possível, tolerável ou adequado para a situação ou não, sendo algo realizado em conjunto, e não individualmente, por apenas um dos lados. Estabelecer expectativas e limites claros e ser consistente é fundamental no processo de educação, pois crianças tendem a sempre encontrar brechas e ultrapassar os limites, se estes não forem bem estabelecidos. 

Quando o mau comportamento é usado como uma oportunidade para ensinar a criança não apenas que o que ela fez é errado, mas também capacitando-a com alternativas para contornar o problema, isso a ajudará no futuro a ter muito mais maturidade para lidar com os erros e fracassos que a vida naturalmente vai lhe trazer.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora do Manual de Psicologia Positiva (Ed. Qualitymark/2018)




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quarta-feira, 11 de julho de 2018

FORÇAS E TALENTOS HUMANOS



Durante grande parte da vida, a maior parte das pessoas são estimuladas e orientados a buscar aperfeiçoar e aprender novas habilidades e competências, bem como melhorar aquilo que não está bom, até chegar ao “ótimo” ou ao “excelente”. A busca dessa excelência, por sua vez, é algo que possibilita um crescimento pessoal e profissional constante, que, tende a trazer resultados a longo prazo. O problema, no entanto, é que muitas vezes, as pessoas investem tanto em seus pontos fracos, que acabam deixando de fortalecer justamente as qualidades que já possuem naturalmente.


Há alguns anos atrás, uma pesquisa realizada em diversos países do mundo, e com milhões de pessoas, rastreou as forças e virtudes humanas mais comuns, chegando a uma lista básica de 24 forças, entre elas, o autocontrole, a coragem, a humildade, a esperança, a criatividade, o amor ao aprendizado, a liderança, a inteligência social, a prudência, a perseverança, a espiritualidade, o humor, a integridade, a justiça, entre outros mais. A partir disso, surgiu o termo “forças de caráter” dentro da Psicologia Positiva, que simboliza todas as qualidades humanas que são capazes de despertar o melhor das pessoas, não apenas do ponto de vista pessoal ou social, mas também profissional. Forças de caráter representam aquilo de melhor que as pessoas têm dentro de si, e aparecem em diversas situações de nossas vidas. Ao usar suas forças internas, as pessoas criam mais motivação para desenvolver outras qualidades positivas. Isso faz com que elas se sintam mais autênticas, mais energizadas e satisfeitas com o que fazem e com a rotina diária.



Pessoas que usam suas forças possuem mais confiança, se sentem mais felizes e completas, além de estarem mais motivadas quando diante de tarefas e trabalhos que coincidem com suas forças naturais, tendo assim maior concentração, produtividade, engajamento, e força de vontade. Isso tem um impacto imenso em empresas e organizações, tendo em vista que uma das maiores reclamações é justamente a dificuldade em tornar funcionários mais engajados no trabalho.
Pesquisas revelam que pessoas que utilizam suas forças todos os dias tendem ser seis vezes mais engajadas em seu trabalho e tendem a ter um nível três vezes mais elevado de satisfação com a vida. Outro campo importante para se aplicar talentos é no campo da educação. Trabalhar as forças e ajudar o aluno a utilizá-las nos trabalhos escolares, melhora o desempenho escolar, o aprendizado, o aumento da atenção e da concentração em sala de aula, criando assim, na mente do estudante, uma imagem mais positiva da escola e dos estudos.

É claro, que, nem sempre temos a oportunidade de fazer atividades que vão de encontro aos nossos pontos mais fortes. No entanto, se você se encontra em uma situação onde não é possível deixar de fazer aquilo que não gosta, a dica é pelo menos, tentar adicionar ao seu trabalho, atividades em que se possa empregar as forças ou talentos. Outro caminho também é fazer parcerias ou acordos com pessoas que são fortes naqueles talentos nos quais temos mais deficiência, ao invés de insistir em fazer algo que, por mais que nos esforcemos, continua trazendo resultados insatisfatórios. O ser humano não tem como dominar todas as áreas, e essa é uma razão a mais para estimular a colaboração entre pessoas de talentos diferentes, possibilitando que cada um atue naquilo que faz melhor, de forma que todos sejam beneficiados e satisfeitos.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora do Manual de Psicologia Positiva (Ed. Qualitymark/2018)




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quinta-feira, 14 de junho de 2018

COMPULSÃO ALIMENTAR E O COMER EMOCIONAL



Todos nós comemos muito de vez em quando. O problema é quando se perde o controle. Muitas pessoas comem até o ponto de sentir um desconforto físico, e, posteriormente, acabam acumulando sentimentos de culpa, vergonha, impotência e arrependimento, levando a uma onda de mais ansiedade ou de tristeza, que alimenta um ciclo constante, no qual esses mesmos sentimentos levam a pessoa a extravasar novamente suas angústias na comida. Quanto pior ela se sente em relação a si mesma e a sua aparência, mais usará a comida para lidar com isso. Um ciclo vicioso cuja dinâmica é: comer para se sentir melhor, sentir-se ainda pior e depois voltar para a comida em busca de alívio da tristeza e da angústia.


Questões emocionais, biológicas, culturais, familiares e sociais obviamente também estão envolvidas. Baixa autoestima, solidão e insatisfação corporal, pressão social para ser magra (o), também podem contribuir para a compulsão alimentar. É preciso desenvolver um relacionamento mais saudável com a comida - um relacionamento que se baseia em atender às suas necessidades nutricionais, e não às emocionais. Muitas pessoas não comem “comida”, mas sim “emoções”, e, por essa razão nunca se sentem saciadas. Ouvir o corpo e aprender a distinguir fome física e fome emocional, é o que chamamos de comer de forma consciente. Quantas vezes as pessoas se encontram em um estado de alimentação inconsciente, sem nem mesmo perceber ou gostar do que estão consumindo? É preciso encontrar maneiras melhores de alimentar os sentimentos e lidar com emoções desagradáveis como estresse, depressão, solidão, medo e ansiedade. Quando você tem um dia ruim, pode parecer que a comida seja sua única amiga. 

A comida também não é o único elemento presente na obesidade, mas também o sedentarismo, o sono insuficiente, fatores psicológicos, físicos, entre outros. Aliás, viver sobrecarregado, cansado e estressado é um ótimo gatilho para comer. Sem o tempo ideal de sono necessário, o corpo também acaba “pedindo” alimentos açucarados que proporcionem um rápido aumento de energia. Buscar as mais diversas desculpas para não fazer atividades físicas, sobretudo a tão conhecida “falta de tempo”, só piora a situação, aumentando não só a vontade de comer, como também reduzindo o nível de energia, vitalidade e de humor.


O ciclo da compulsão alimentar é possível de ser quebrado, com alguns tratamentos, e é claro, também, com esforço e força de vontade. Toda compulsão, tem como característica, a gratificação imediata, a qual é justamente o oposto do “saber esperar”, ou, do autocontrole. Aliás, é importante lembrar também que “comer demais” acomete não apenas pessoas obesas, mas os magros também.


Aprender a resistir à privação, e adiar aquilo que se deseja, tem se tornado um desafio cada vez maior em épocas onde o imediatismo e a velocidade tem sido cada vez mais presente em tudo que fazemos. Desacelerar, saber esperar, persistir em um objetivo e lidar com a privação das coisas boas da vida, infelizmente nem sempre é suportado por todos, mas são essas são algumas das atitudes que fazem a diferença quando alguém realmente deseja fazer uma mudança de hábitos mais duradoura.

Como diz o famoso ditado: “No pain, no gain” (Sem dor, sem ganho). A vida é feita de dores e prazeres, e a felicidade mais verdadeira que o ser humano pode sentir, é aquela onde seja possível equilibrar satisfação e privação na dose certa, um misto de alegria, autocontrole e autoresponsabilidade. Ao mesmo tempo, nunca é tarde para se livrar do desânimo e do pessimismo, e buscar os meios necessários para mudar esse que é um dos hábitos e necessidades mais arraigados no ser humano: o ato de comer.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, 
Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL.




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quinta-feira, 31 de maio de 2018

COACH OU PSICÓLOGO?




COACH OU PSICÓLOGO?

O exercício de atividades com foco em questões motivacionais, psíquicas e emocionais, tem se tornado uma prática disseminada de forma aleatória e indiscriminada no mercado profissional. Há tempos atrás, apenas estudiosos, pesquisadores e autores renomados tinham autoridade suficiente para falar sobre assuntos específicos. No entanto, o fato do conhecimento ser algo aberto, muitas vezes, provoca uma confusão entre o “conhecer” de forma simples e rápida, e o “fazer” ou “ensinar”, de forma indiscriminada, algo que seria da competência pessoas treinadas e especializadas.


Recentemente, um tema ligado ao tratamento de abuso sexual na infância, exibido em horário nobre, despertou confusão entre diversas pessoas: afinal coach e psicólogo podem fazer a mesma coisa? O coaching tem sido uma prática bastante útil e interessante para auxiliar pessoas a atingirem metas e objetivos pessoais ou profissionais, de forma mais objetiva e focada, mas não é da sua alçada, tratar traumas, patologias e outros transtornos mentais. A palavra coaching, traduzida do inglês, significa treinamento, e o coach, um treinador. O coaching é uma espécie de “parceria” entre coach (treinador) e cliente, na qual busca-se despertar o potencial humano por meio de perguntas e atividades, que favorecem a organização, a disciplina, e colocam o cliente em uma postura voltada para a ação, afim de avançar de modo mais rápido e alcançar o que deseja. Quando surgiu, o objetivo do coaching estava mais ligado à área esportiva. Em seguida, ele avançou para o ambiente organizacional, estimulando o desenvolvimento de líderes. Hoje, é uma prática que abrange a área pessoal, buscando soluções e estratégias que estimulem o desenvolvimento de competências e habilidades humanas, bem como, o crescimento do indivíduo, em diversas esferas da vida, como no desempenho profissional, na organização e no planejamento financeiro, na gestão do tempo, na mudança de carreira, no estudos, na comunicação e nos relacionamentos interpessoais, adoção de hábitos de vida saudáveis, etc.
E o psicólogo, faz o que? Sim, a psicologia também faz isso, dependendo da abordagem e técnica utilizada. A psicologia é um campo amplo, que engloba, a grosso modo, tudo que esteja ligado a questões emocionais, comportamentais e psíquicas do ser humano. São cinco anos de estudo e prática aprofundada sobre o comportamento humano, desde a fisiologia, filosofia, neurologia até a sociologia e a ética. A Psicologia, é uma Ciência reconhecida formalmente, que busca evidências científicas comprovadas, que tragam resultados efetivos para o paciente. Seu foco está nas questões internas profundas, as quais podem estar ligadas à distúrbios ou não, e por isso, seu objetivo é, não apenas eliminar a dor emocional, mas também ajudar a modificar crenças, emoções e comportamentos disfuncionais, que impedem a pessoa de evoluir e atingir o bem-estar pleno.


Apesar de grande parte das pessoas ainda associar a Psicologia somente ao tratamento de doenças mentais, engana-se quem pensa que o psicólogo se limita apenas a isso. A Psicologia é uma área que abrange teorias humanistas, cognitivas e comportamentais, que estimulam o desenvolvimento e o potencial humano, naqueles (mentalmente saudáveis) que precisam de um “empurrãozinho” para dar um pontapé inicial em seus projetos de vida. Muitos acreditam que as diferenças principais entre coaching e psicologia, é que a psicologia trabalha com a doença e está focada no passado e no presente, enquanto que o coaching foca no futuro. Entretanto, essa é mais uma crença errada, pois a Psicologia possui diversas abordagens, que estimulam o indivíduo, de formas diferentes, a mudar seu comportamento e modo de pensar, e que, a longo prazo, leva a uma transformação muito mais sólida e duradoura, que possibilita à pessoa reconstruir seu futuro de forma permanente, e alcançar aquilo que está realmente alinhado à sua personalidade. Na realidade, Psicologia e Coaching deveriam ser práticas complementares, e não concorrentes, assim como diversas outras terapias alternativas, que podem trazer benefícios às pessoas, mas que infelizmente ainda não são, porém precisam ser reconhecidas e aprovadas formalmente, pelos órgãos profissionais competentes.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, 
Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL.




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