sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

EMAGRECER – META CLÁSSICA DE ANO NOVO

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A palavra "novo" em "ano novo" representa a mudança, e, tudo que é “novo”, de certa forma estimula as pessoas a agirem para mudar suas vidas. A verdade, porém é que as pessoas não estão prontas para mudar se apenas usarem promessas como motivação. Não há nada de mal em renovarmos as esperanças e fazer novos planos para iniciar um novo ciclo, pois essa é a dinâmica da vida. No entanto, metas se tornam reais quando acompanhadas de mudanças no estilo de vida e adoção de comportamentos saudáveis.

Estudos mostram que cerca de metade dos adultos fazem resoluções de Ano Novo, no entanto, menos de 10% conseguem mantê-los ao longo dos meses, e, uma das metas mais populares de ano novo, é o famoso “emagrecer”. No entanto, se as pessoas estão realmente comprometidas com a perda de peso e com a saúde no novo ano, elas precisam pensar nisso como um investimento de longo prazo para realmente conseguirem o que querem. 

A motivação necessária para mudar um comportamento é inversamente proporcional à mudança de hábitos, ou seja, mudar um simples hábito, requer uma quantidade drástica de motivação. Por isso, o grande fracasso das metas é o excesso de quantidade ou o nível de complexidade, o qual se torna pesado, difícil, trabalhoso e complicado de fazer na prática. O erro mais comum é que as pessoas geralmente optam por fazer mudanças muito grandes em seus hábitos ou querem atingir muitas metas irrealistas de uma só vez, tornando-se vítimas da “síndrome da falsa esperança”, onde são construídas expectativas irreais sobre o tempo para se atingir determinado objetivo. Para mudar um comportamento de forma duradoura, é preciso mudar o modo de pensar. 

Imagem relacionadaO primeiro passo é ser realista e fazer resoluções que sejam práticas. Se for difícil ou desconfortável no início, adapte ou adicione algo que gosta enquanto realiza a atividade ou após realiza-la. Novos hábitos exigem esforço e disciplina, por isso, se não houver algo prazeroso concomitantemente às práticas realizadas, fica tudo muito chato. Aí entra a criatividade de cada um. Dê um passo de cada vez, aumentando gradualmente o desafio, de acordo com sua possibilidade, até que você esteja habituado o suficiente para aumentar o nível de dificuldade novamente. Compartilhe e fale sobre a sua meta com alguém próximo, para que outras pessoas possam apoiá-lo e também, “cobrá-lo” quando bater a vontade de relaxar ou desistir.

E por último, lembre-se: mudar qualquer coisa em seu comportamento não é algo somente a ser feito no início do ano. Pode ser feito a qualquer momento, seja em janeiro, julho ou em dezembro. É preciso um plano gradual, além de uma boa dose de paciência, persistência, e apoio, tanto familiar quanto profissional. Fazer tudo sozinho, é um caminho mais difícil. A motivação não é algo simples, que conseguimos ter todos os dias, pois ela oscila conforme diversos fatores e acontecimentos da vida, e para mantê-la é preciso ter um certo treinamento e acompanhamento, um nível de inteligência emocional e autoconhecimento que ajude a sustentar todo esse processo. Quando houver recaída, aceite-a como parte do processo. É inevitável que, ao tentar desistir de algo antigo haja recaídas, por isso aceite-a como parte do processo de aprendizado, sem deixar que isso afete sua força de vontade e determinação.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 



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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

NOVO CICLO, NOVAS ESPERANÇAS

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O encerramento do ano é um momento perfeito para fazer um balanço do que deu certo, e planejar novas metas e novos caminhos para planos futuros. É uma época em que a vontade de mudar é tão natural, que se torna importante sim retomar metas passadas que ficaram esquecidas ao longo do ano. Não tem problema se nem tudo foi tão bom assim, pois no final, tudo é importante, e não somente o que ganhamos ou conquistamos. Experiências negativas geram novos aprendizados, geram um crescimento interior e acaba nos tornando mais fortes e preparados para novos desafios futuros. Experiências positivas também devem ser celebradas, e deixadas vivas em nossa memória, para que no dia em que perdermos algo, lembrarmos que um dia também ganhamos, e esse é o fluxo normal da vida, de perdas e ganhos.

Para quem viaja nesse período, é uma oportunidade de desligar a mente e o corpo do trabalho. Para aqueles que ficam em suas casas, também existe uma oportunidade tão ou até algumas vezes melhor do que quem viaja: a oportunidade de poder organizar-se para começar o ano com tudo em ordem, proporcionando uma sensação de paz e tranquilidade para iniciar um novo ciclo, reduzindo a ansiedade, a carga de culpa, de estresse e de angústia pela falta de tempo. Tirar uma folga de nossas rotinas diárias nos ajuda a sermos re-motivados e re-inspirados com nova visão e energia. Fim do ano é um momento de inspiração, de sonhar novamente. Nossa jornada começa com um sonho, e cada um de nós tem dons, qualidades e experiências únicas que moldam o curso de nossas vidas. O que quer que você faça, dê a si mesmo um período de tempo realista para alcançar objetivos e julgue seu sucesso por meio de esforços feitos e não por resultados, de modo a não desanimar com facilidade.

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Existe uma qualidade humana extremamente importante que se torna evidente quando chega essa época e que é um fator determinante para a saúde emocional: a esperança. É a única emoção positiva que tem a chance de brotar diante de momentos difíceis da vida e está ligada a duas forças fundamentais: o otimismo e a persistência. O ser humano precisa de um motivo para partir para a ação, e, por isso, sem esses três elementos juntos, não existe motivação. Sem motivação, a vida perde o sentido, e com isso perde-se o estímulo para agir e lutar.

Nós, seres humanos, temos nossa vida guiada pelo tempo, um tempo que envolve minutos, horas, dias, semanas, meses e anos. O fim de um ano, representa o fim de um ciclo longo de lutas e esforços, que um dia, farão parte do nosso balanço de realizações alcançados ao longo da vida. Essas realizações e experiências vividas, e também vencidas, proporcionam a sensação de força e gratificação duradoura, mostrando que todo e qualquer esforço valeu a pena. Além do crescimento pessoal que adquirimos, é importante também, nesse momento, um descanso mental, uma pausa para organizar nossas vidas e nossas mentes. Organizar nosso mundo externo também nos ajuda organizar o mundo interno, daí a importância também de usar esse momento para organizar nossos ambientes pessoais e profissionais, para que então tenhamos lugares suficientes, dentro e fora de nós, para substituir aquilo que se foi, por aquilo que ainda está por vir.


Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 




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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

LUTO – A DIFÍCIL MISSÃO DE LIDAR COM A PERDA


 Todos nós temos que enfrentar, algumas vezes de modo até inesperado, a perda de um ente querido, em uma situação que nos leva a fazer uma série de reflexões sobre o sentido da vida. A morte é um evento de tamanha enormidade que pode tornar tudo o mais em nossas vidas insignificante. Vivemos em uma cultura que nega a morte, ou que a vê como algo que devemos evitar, e tentar esquecer. O luto nos traz um misto de emoções e sentimentos de tristeza, abandono, desamparo, aflição, e, principalmente, de angústia, no intuito de buscar explicações sobre um fenômeno que ninguém consegue explicar de forma exata. 

O luto pode ser descrito como um desejo de trazer de volta a pessoa que morreu, muita desorganização e tristeza. Ele pode ser experimentado como uma reação mental, física, social ou emocional. A dor que é sentida não é apenas pela pessoa que morreu, mas também pelos desejos e planos não realizados com aquele que se foi. Muitos se veem também envolvidos pela emoção do medo e da insegurança, o medo do futuro, de tomar decisões que até então não eram suas, de se tornar o responsável principal por uma família, tanto do ponto de vista afetivo, emocional, como financeiro. 

O processo de luto passa por diversas etapas, começando com o reconhecimento da perda até a aceitação. Cada um busca sua própria forma de lidar com a dor da perda, e isso também está ligado à forma e às circunstâncias da morte. No primeiro momento, as pessoas mais próximas podem entrar em um estado de negação, descrença, não aceitando o que aconteceu. A partir daí, surgem, além da tristeza, emoções como a raiva, ou então a culpa, por não ter tido tempo suficiente para falar ou demonstrar algo àquele que se foi. O humor passa a ficar mais deprimido, memórias ricas em detalhes passam a ficar mais vívidas, em uma tentativa constante de compreender a lógica dos fatos e a lógica da vida. A mudança real, no entanto, só acontece a partir do momento que ocorre a aceitação da perda. Aceitar a separação da pessoa que morreu, envolve a capacidade de redirecionar a energia emocional, ajustar-se à vida sem a pessoa ao seu lado, e retomar as atividades habituais. 

Ao mesmo tempo, tomar consciência da morte pode ter um poderoso efeito positivo e trazer uma mudança radical de atitude e perspectiva. Quando enfrentamos a morte de forma ativa e direta, há uma chance de transcendermos a ansiedade e a insegurança e vivenciarmos seu potencial de transformação, criando uma nova capacidade de viver no presente, ao invés de nos mantermos presos ao passado ou ao futuro. O luto leva pessoas a desenvolverem atitudes apreciativas diante da vida, sentimentos de gratidão por aspectos banais que até então não eram valorizados, e também, a cultivarem relacionamentos familiares e elementos como a afetividade, a compaixão, a solidariedade, a empatia. Preocupações e ansiedades do dia-a-dia, passam a não ter mais tanta importância diante de outros fatores mais relevantes, como a presença de alguém, tornando as pessoas mais sensíveis, e fazendo com que coisas que até então muitos não prestavam atenção, acabem se tornando notavelmente vívidas e belas. Isso também leva pessoas a refletirem sobre o uso efetivo do tempo, não somente para si próprio, mas também para aqueles que amamos, e para aquilo que é realmente importante na vida.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018).




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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A DOCE SABEDORIA DAS CRIANÇAS


Todos sabemos o quanto as memórias e experiências da infância são importantes para o desenvolvimento e maturidade de um adulto. O interessante é que, à medida que o tempo passa, o contato com as novas gerações, não apenas desperta novamente a criança dentro de nós, como nos dá a oportunidade de aprender muitas coisas com os pequenos, fazendo-nos resgatar algumas atitudes que, sem sabermos o motivo, perdemos com o passar dos anos.

Tive a oportunidade de trabalhar com crianças e adolescentes, ao longo de 13 anos da minha vida, o que me trouxe alegrias e desafios, mas, muito mais do que isso, me trouxe uma diversidade imensa de aprendizados, que vieram por meio da observação de sua forma de pensar sobre o mundo, dos seus comportamentos e, claro, por meio da interação diária com elas.

Crianças são criaturas extremamente sábias, e observá-las nos faz repensar muito sobre a vida. Para começar, elas se alegram com coisas simples, pois não tem expectativas irreais, e, por isso, entendem que a alegria pode ser encontrada em qualquer lugar. Muitas vezes, os pais, na tentativa de agradar, se esforçam em presenteá-las com brinquedos sofisticados, e de repente, quando veem, o brinquedo preferido delas é aquele mais baratinho.

Crianças são seres curiosos, buscam sempre aprender algo novo, são altamente questionadoras, querendo saber o tempo todo o “porquê” das coisas, desde as coisas mais complexas, até aquelas mais banais. Crianças aceitam o diferente e não julgam, mas isso, claro, desde que o adulto não as amedronte com suas crenças e medos, fazendo-as aprender “o que” e “como” julgar as pessoas.


Crianças expressam emoções e sentimentos de forma simples, pura e objetiva, sem enrolar muito, e sem meias palavras. São transparentes e sinceras, e, quando querem algo, dizem o que querem. Quando não querem, também deixam isso bem claro para os adultos ao redor. Quando estão tristes, choram, e não escondem isso. Quando estão felizes, sorriem de verdade, e com vontade. Demonstram afeto sem disfarces, abraçando-nos com uma força proporcional aos sentimentos que carregam por nós. Crianças nos ensinam a perdoar facilmente. Brigam, choram, berram, esperneiam, mas em poucas horas, voltam a sorrir novamente, em uma fração de tempo muito mais rápida do que nós adultos levamos para nos livrar da culpa ou do remorso. 

Crianças não colocam limites em sua imaginação, nem em seus sonhos. Se querem ser super heróis, incorporam isso dentro de si literalmente, sem se importar em parecer “ridículas” ou “malucas”. Elas sabem deixar o medo de lado. Ao contrário dos adultos, não ficam pensando no famoso “e se...”, mas ao contrário, mergulham na experiência, aproveitando o momento. Crianças aprendem pela repetição, e quando falham, não desistem fácil. Querem começar tudo de novo, sem se cansar. Aliás, quem se cansa na verdade, somos nós. Crianças falam aquilo que estão pensando, de forma autêntica, e não ficam medindo palavras ou se preocupando com o certo ou errado. E mesmo quando estão erradas, ainda conseguem falar de um jeito doce e engraçado.


As crianças são os verdadeiros gurus da felicidade. A forma da criança olhar o mundo, não é contaminada igual a de um adulto. Elas entendem a vida melhor do que a maioria de nós, vivendo com mais sabedoria do que alguns dos indivíduos mais experientes e refinados ao nosso redor. E o mais importante para elas: o tempo. Aliás, enrolação é coisa de adulto. Crianças não procrastinam, e não querem saber de deixar nada para depois, pois sabem que amanhã, pode ser tarde demais, e não dá para ficar esperando o tempo passar....

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018).




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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A PSICOLOGIA DE UM VOTO




Falar de política é sempre um desafio, e essa, certamente não é a proposta dessa matéria, mas sim, entender o comportamento de um eleitor quando chega o momento de decidir sobre quem serão seus futuros dirigentes. É muito fácil compreender o motivo pelo qual tanto se fala o famoso jargão: “política não se discute”. Seres humanos são diferentes, e isso naturalmente gera opiniões diferentes. Por essa razão, discutir política dentro do meio social, no trabalho, e até dentro de casa, pode despertar discussões ferrenhas, justamente em razão das maneiras diferentes que cada pessoa tem de pensar, interpretar e compreender o comportamento e atitudes de cada candidato. As crenças e valores morais, pessoais, éticos que cada pessoa carrega dentro de si, assim como o nível de compreensão, influenciam diretamente o modo como ela formará sua decisão, juntando-se a isso ainda outros elementos, como vantagens, benefícios, etc. Um mesmo candidato pode ser visto por diversos eleitores de formas diferentes: como um radical, um oportunista, um herói, um injustiçado, uma vítima das circunstâncias, um dissimulado, e pelos mais diversos pontos de vista.

Um eleitor pode usar diversos critérios para formar seu voto. Alguns, menos ousados, utilizam o critério do comodismo, de votar como sempre se votou, com o pensamento de que “é melhor deixar do jeito que está, para não piorar”, se é que já não estamos no pior momento possível! Alguns fazem suas escolhas pela proximidade ou afinidade com um ou outro candidato, ou pela possibilidade de conseguir alguma vantagem no futuro. Outros, podem usar o critério da rebeldia, e achar que é melhor investir logo de uma vez na oposição, para ver se dessa vez algo muda. Outros eleitores, utilizam o critério da fuga, decidindo usar, como forma de protesto, o voto “em branco” ou “nulo”, achando que com isso, estará mostrando algum tipo de decisão, quando isso na verdade se torna nada mais do que uma forma de evitar a “dor” da escolha, ao invés de enfrentar e se responsabilizar por ela.

Muitas pessoas votam, com base na emoção do medo, da insegurança. O medo de ser enganado novamente, ou ainda, para outros, o medo de perder algo que já possuem, como algum benefício social, financeiro, mesmo que o preço que se pague por isso no futuro, seja muito maior do que o próprio benefício em si. Enquanto alguns votam de modo independente da maioria, milhões de pessoas ainda votam de acordo com a massa, sendo guiados por pesquisas ou estatísticas, “amostras” essas que podem não corresponder a realidade dos votos de todo um país. Muitos se deixam levar pela opinião alheia, pela onda social, ao invés de construir sua própria opinião. Obviamente alguns podem ter realmente dentro de si uma opinião convicta de que o caminho da maioria seja o melhor caminho, e se for assim, tudo bem, contanto que seja uma conclusão que ele mesmo tirou baseado em evidências e fatos reais, e não em suposições de outras pessoas, e muito menos, baseado na emoção. No entanto, muitos eleitores dão mais importância aos números e à quantidade, do que a qualidade. São aqueles que têm medo de arriscar em alguém que possa ter “menos chance de ganhar”, o que mostra pessimismo e desesperança. 


Emoções influenciam fortemente nossas decisões. Nesse momento, pessoas do país inteiro votam muito mais com base em suas emoções do que na razão. Alguns estão fazendo escolhas baseados na raiva, no medo, no rancor, na insegurança, na tristeza, outros já podem estar decidindo seus votos com base na compaixão, na piedade, na vingança, no senso de justiça.

Para mudar algo para melhor, é importante saber que as emoções podem camuflar evidências escancaradas, e por isso, é preciso usar, junto à razão, aquelas emoções que ampliem nossa inteligência e nos impulsione para algo mais concreto, como a esperança, o otimismo, a persistência e a coragem, elementos esses que nos conduzem mais à construção de algo, do que à reclamação e à destruição daquilo que já está perdido. O voto é um ato de responsabilidade de todos. Toda decisão envolve riscos. No entanto, para tomar uma decisão e reduzir a margem de erro, existem dados e evidências nos quais podemos nos apoiar, e a partir disso, fazer com que nosso voto seja guiado pelo equilíbrio entre a razão e a emoção, e não pelo domínio de um sobre o outro.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018).




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domingo, 9 de setembro de 2018

DISCIPLINA POSITIVA - UM NOVO OLHAR PARA O MAU COMPORTAMENTO INFANTIL



A primeira coisa que se pensa quando ouvimos a palavra “disciplina” está geralmente ligado a algo entediante, chato, rigoroso. Apesar da origem da palavra disciplina estar ligada ao sentido de “ensinar”, ainda para a grande maioria das pessoas, está ligada ao sentido da punição ou da rigidez. Hoje, no entanto, tem havido um resgate às raízes da palavra disciplina, e novas abordagens buscam orientar pais e cuidadores a como ensinar o comportamento correto, de forma firme e gentil. A disciplina positiva também não apoia, nem incentiva o uso de elogios “gratuitos” à criança, muito menos o uso de presentes ou recompensas para conseguir que a criança adote o comportamento desejado. Elogios vazios, ou então, o famoso “tatibitate” que muitos pais fazem com seus filhos, podem ser um veneno tão perigoso quanto a punição rigorosa, tornando a criança o “reizinho” da casa, o que pode leva-lo a se tornar um adulto sem limites, que faz o que quer, na hora que quer, e do jeito que quer. 

O melhor caminho é o meio termo: a educação respeitosa, onde a criança é vista aos olhos do adulto como um ser que tem plena capacidade de compreender e agir, desde que seu raciocínio seja estimulado por meio de perguntas que a façam entender o motivo das coisas serem como são, ao invés de serem injetadas de respostas prontas, que não estimulam em nada o pensamento crítico e a maturidade emocional. Focar na solução, é uma das maneiras de incentivar que a criança reflita sobre seus próprios comportamentos, e possa participar e elaborar escolhas sensatas para agir conforme as capacidades próprias da sua faixa etária. 

Um dos fundamentos da disciplina positiva enfatiza que não existem filhos ruins, mas apenas comportamento ruins. Não há garotos maus, apenas maus comportamentos. Pense nisso por um minuto e você perceberá quão verdadeira é a afirmação. Em outras palavras, algo no ambiente da criança está a influenciando a se comportar mal. Quando aceitamos que foi apenas um comportamento que foi ruim, e a própria criança está bem - ensinar em vez de punir se torna mais fácil. Ao invés de apontar o que a criança fez de errado, mostre à criança como acertar, sendo gentil e firme ao mesmo tempo. A gentileza, mostra o respeito à criança, e a firmeza, mantém o respeito pelo adulto, já que é mais do que necessário que a criança sinta que existe um limite no qual ela não deve ultrapassar. 

Sempre que possível, também é importante oferecer escolhas à criança. Essa é uma forma que permita que ela sinta que está sendo vista e que pode participar das escolhas da casa, porém não somente para escolher o que mais a convém, mas sim aquilo que está dentro do que é possível dentro da situação e dentro das capacidades da sua idade. Dar escolhas a uma criança, não é deixar ela fazer o que quer, já que o processo de escolha envolve a interferência do adulto, que vai monitorar aquilo que é possível, tolerável ou adequado para a situação ou não, sendo algo realizado em conjunto, e não individualmente, por apenas um dos lados. Estabelecer expectativas e limites claros e ser consistente é fundamental no processo de educação, pois crianças tendem a sempre encontrar brechas e ultrapassar os limites, se estes não forem bem estabelecidos. 

Quando o mau comportamento é usado como uma oportunidade para ensinar a criança não apenas que o que ela fez é errado, mas também capacitando-a com alternativas para contornar o problema, isso a ajudará no futuro a ter muito mais maturidade para lidar com os erros e fracassos que a vida naturalmente vai lhe trazer.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora do Manual de Psicologia Positiva (Ed. Qualitymark/2018)




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quarta-feira, 11 de julho de 2018

FORÇAS E TALENTOS HUMANOS



Durante grande parte da vida, a maior parte das pessoas são estimuladas e orientados a buscar aperfeiçoar e aprender novas habilidades e competências, bem como melhorar aquilo que não está bom, até chegar ao “ótimo” ou ao “excelente”. A busca dessa excelência, por sua vez, é algo que possibilita um crescimento pessoal e profissional constante, que, tende a trazer resultados a longo prazo. O problema, no entanto, é que muitas vezes, as pessoas investem tanto em seus pontos fracos, que acabam deixando de fortalecer justamente as qualidades que já possuem naturalmente.


Há alguns anos atrás, uma pesquisa realizada em diversos países do mundo, e com milhões de pessoas, rastreou as forças e virtudes humanas mais comuns, chegando a uma lista básica de 24 forças, entre elas, o autocontrole, a coragem, a humildade, a esperança, a criatividade, o amor ao aprendizado, a liderança, a inteligência social, a prudência, a perseverança, a espiritualidade, o humor, a integridade, a justiça, entre outros mais. A partir disso, surgiu o termo “forças de caráter” dentro da Psicologia Positiva, que simboliza todas as qualidades humanas que são capazes de despertar o melhor das pessoas, não apenas do ponto de vista pessoal ou social, mas também profissional. Forças de caráter representam aquilo de melhor que as pessoas têm dentro de si, e aparecem em diversas situações de nossas vidas. Ao usar suas forças internas, as pessoas criam mais motivação para desenvolver outras qualidades positivas. Isso faz com que elas se sintam mais autênticas, mais energizadas e satisfeitas com o que fazem e com a rotina diária.



Pessoas que usam suas forças possuem mais confiança, se sentem mais felizes e completas, além de estarem mais motivadas quando diante de tarefas e trabalhos que coincidem com suas forças naturais, tendo assim maior concentração, produtividade, engajamento, e força de vontade. Isso tem um impacto imenso em empresas e organizações, tendo em vista que uma das maiores reclamações é justamente a dificuldade em tornar funcionários mais engajados no trabalho.
Pesquisas revelam que pessoas que utilizam suas forças todos os dias tendem ser seis vezes mais engajadas em seu trabalho e tendem a ter um nível três vezes mais elevado de satisfação com a vida. Outro campo importante para se aplicar talentos é no campo da educação. Trabalhar as forças e ajudar o aluno a utilizá-las nos trabalhos escolares, melhora o desempenho escolar, o aprendizado, o aumento da atenção e da concentração em sala de aula, criando assim, na mente do estudante, uma imagem mais positiva da escola e dos estudos.

É claro, que, nem sempre temos a oportunidade de fazer atividades que vão de encontro aos nossos pontos mais fortes. No entanto, se você se encontra em uma situação onde não é possível deixar de fazer aquilo que não gosta, a dica é pelo menos, tentar adicionar ao seu trabalho, atividades em que se possa empregar as forças ou talentos. Outro caminho também é fazer parcerias ou acordos com pessoas que são fortes naqueles talentos nos quais temos mais deficiência, ao invés de insistir em fazer algo que, por mais que nos esforcemos, continua trazendo resultados insatisfatórios. O ser humano não tem como dominar todas as áreas, e essa é uma razão a mais para estimular a colaboração entre pessoas de talentos diferentes, possibilitando que cada um atue naquilo que faz melhor, de forma que todos sejam beneficiados e satisfeitos.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora do Manual de Psicologia Positiva (Ed. Qualitymark/2018)




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segunda-feira, 2 de julho de 2018

INSEGURANÇA: O GRANDE DESAFIO DE CONFIAR EM SI



Uma sensação que pode aparecer de diversas formas, desde uma simples timidez até um sentimento de não-aceitação social ou o medo de não ser aprovado por alguém. A insegurança não deixa de ser uma forma de medo, tornando-nos mais prudentes e cautelosos. No entanto, a prudência excessiva pode levar a pessoa a se sentir insegura a maior parte do tempo. 


É claro que todos nós somos afetados de alguma forma, pelos acontecimentos da vida. Fatos negativos ficam registrados na memória humana, e o cérebro, ao relembrar tais eventos, manda um alerta para o corpo, como se aquilo fosse acontecer novamente. É uma “desregulação”, onde a mente prevê que fatos ruins sempre irão se repetir da mesma forma, quando na verdade isso nem sempre acontece. Traições ou rejeições, fazem com que a pessoa se sinta mal no momento, e, se ela não souber elaborar esses sentimentos, isso afetará sua autoestima e sua autoconfiança, tornando-a insegura de si e de suas capacidades, a ponto dela não querer mais se arriscar a fazer algo novo, com medo de ser rejeitada novamente. 
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A insegurança também acontece em situações sociais, como festas, reuniões familiares, entrevistas e datas. O medo de ser julgado por alguém, pode levar a pessoa a se sentir ansiosa e apreensiva. Isso faz com que muitos acabem fugindo ou evitando situações sociais, ou então, quando decidem enfrentar esses momentos, sentem-se constrangidos e extremamente desconfortáveis. Fracasso, rejeição, solidão, crenças negativas sobre si mesmo e experiências do passado, como na infância e na adolescência, muitas vezes são carregadas por toda a vida, e podem alimentar o senso de não pertencer, não se sentir importante ou interessante, ou simplesmente não ser bom o suficiente. 

Ser excluído ou censurado por um grupo de amigos, ter pais extremamente críticos, e ríspidos, que depreciam ou pressionam o jovem para que seja bem-sucedido, alimentam a insegurança no futuro. É importante lembrar que pessoas que costumam julgar, muitas vezes podem estar encobrindo suas próprias inseguranças, ao tentar diminuir o outro, valorizando atributos superficiais em vez de valores mais profundos como caráter e integridade, por exemplo. A insegurança traz problemas à saúde física também. Estar o tempo todo preocupado, tenso, angustiado, pode levar a pessoa a um estado de cansaço crônico, a mais ansiedade, distúrbios alimentares, depressão, problemas gastrointestinais, entre outros. 

Pessoas inseguras muitas vezes não conseguem ser elas mesmas, demonstrar uma personalidade própria ou autêntica. Isso afasta a pessoa do contato social, e pior, pode fazer com que pessoas extremamente talentosas, nunca sejam descobertas, simplesmente pelo medo de se expressar ou de mostrar suas habilidades. O perfeccionismo é uma das fontes da insegurança. Buscar padrões altos demais, tanto na beleza, como nos estudos, nos relacionamentos ou no trabalho, pode acabar levando a pessoa a não conseguir nada no final. Nem tudo na vida está sob o nosso controle, e pode ser que nem todas as pessoas gostem do nosso jeito de ser, simplesmente por não gostarem, e não pelo fato de estarmos fazendo algo errado. Culpar-se demais, pode levar a mais insegurança ainda. A culpa é um sentimento que deveria nos levar a algum aprendizado, e não à autodestruição.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, Educadora Certificada pela Positive Discipline Association (USA), Trainer em Neurossemântica e Programação Neurolinguística pela International Society of Neurossemantics (USA) e autora dos livros "Jogos de Azar" (Ed. Juruá/2008) e "Manual de Psicologia Positiva" (Ed. Qualitymark/2018). 




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quinta-feira, 14 de junho de 2018

COMPULSÃO ALIMENTAR E O COMER EMOCIONAL



Todos nós comemos muito de vez em quando. O problema é quando se perde o controle. Muitas pessoas comem até o ponto de sentir um desconforto físico, e, posteriormente, acabam acumulando sentimentos de culpa, vergonha, impotência e arrependimento, levando a uma onda de mais ansiedade ou de tristeza, que alimenta um ciclo constante, no qual esses mesmos sentimentos levam a pessoa a extravasar novamente suas angústias na comida. Quanto pior ela se sente em relação a si mesma e a sua aparência, mais usará a comida para lidar com isso. Um ciclo vicioso cuja dinâmica é: comer para se sentir melhor, sentir-se ainda pior e depois voltar para a comida em busca de alívio da tristeza e da angústia.


Questões emocionais, biológicas, culturais, familiares e sociais obviamente também estão envolvidas. Baixa autoestima, solidão e insatisfação corporal, pressão social para ser magra (o), também podem contribuir para a compulsão alimentar. É preciso desenvolver um relacionamento mais saudável com a comida - um relacionamento que se baseia em atender às suas necessidades nutricionais, e não às emocionais. Muitas pessoas não comem “comida”, mas sim “emoções”, e, por essa razão nunca se sentem saciadas. Ouvir o corpo e aprender a distinguir fome física e fome emocional, é o que chamamos de comer de forma consciente. Quantas vezes as pessoas se encontram em um estado de alimentação inconsciente, sem nem mesmo perceber ou gostar do que estão consumindo? É preciso encontrar maneiras melhores de alimentar os sentimentos e lidar com emoções desagradáveis como estresse, depressão, solidão, medo e ansiedade. Quando você tem um dia ruim, pode parecer que a comida seja sua única amiga. 

A comida também não é o único elemento presente na obesidade, mas também o sedentarismo, o sono insuficiente, fatores psicológicos, físicos, entre outros. Aliás, viver sobrecarregado, cansado e estressado é um ótimo gatilho para comer. Sem o tempo ideal de sono necessário, o corpo também acaba “pedindo” alimentos açucarados que proporcionem um rápido aumento de energia. Buscar as mais diversas desculpas para não fazer atividades físicas, sobretudo a tão conhecida “falta de tempo”, só piora a situação, aumentando não só a vontade de comer, como também reduzindo o nível de energia, vitalidade e de humor.


O ciclo da compulsão alimentar é possível de ser quebrado, com alguns tratamentos, e é claro, também, com esforço e força de vontade. Toda compulsão, tem como característica, a gratificação imediata, a qual é justamente o oposto do “saber esperar”, ou, do autocontrole. Aliás, é importante lembrar também que “comer demais” acomete não apenas pessoas obesas, mas os magros também.


Aprender a resistir à privação, e adiar aquilo que se deseja, tem se tornado um desafio cada vez maior em épocas onde o imediatismo e a velocidade tem sido cada vez mais presente em tudo que fazemos. Desacelerar, saber esperar, persistir em um objetivo e lidar com a privação das coisas boas da vida, infelizmente nem sempre é suportado por todos, mas são essas são algumas das atitudes que fazem a diferença quando alguém realmente deseja fazer uma mudança de hábitos mais duradoura.

Como diz o famoso ditado: “No pain, no gain” (Sem dor, sem ganho). A vida é feita de dores e prazeres, e a felicidade mais verdadeira que o ser humano pode sentir, é aquela onde seja possível equilibrar satisfação e privação na dose certa, um misto de alegria, autocontrole e autoresponsabilidade. Ao mesmo tempo, nunca é tarde para se livrar do desânimo e do pessimismo, e buscar os meios necessários para mudar esse que é um dos hábitos e necessidades mais arraigados no ser humano: o ato de comer.

Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, 
Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL.




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